Cinquentenário

Um pouco da Historia da Associação Atlética São Paulo, na comemoração do seu cinquentenário – 26/07/1964 – Pelo Dr. Luis Monteiro de Araripe Sucupira.

Um pouco da Historia da Associação Atlética São Paulo, na comemoração do seu cinquentenário

Com o desaparecimento do antigo “Clube de Regatas São Paulo, de tão alta expressão social até o ano de 1913, e que estava instalado na pitoresca” Chácara da Floresta “, na Ponte Grande, e onde hoje se encontra o Clube de Regatas Tiete, surgiu a ideia da Fundação da Associação Atlética São Paulo. Elementos de destaque do clube da camisinha branca e vermelha não se conformaram com a sua liquidação, e nove entre eles se destacaram pela inexcedível dedicação e pelas iniciativas que tiveram para a fundação da hoje cinquentenária e prestigiosa Associação Atlética São Paulo.

Eram os jovens daquela época: Arnaldo Macedo de Carvalho, Arthur Euwbank, Braz Rodolfo França, Ernani Macedo de Carvalho, Orlando Aguiar Carneiro, Raul Macedo de Carvalho, Rodolfo Maerz, Tasso Coelho dos Santos e Virgilio Lion. Mais Tarde, porém outros foram incluídos entre os que tanto fizeram pela concretização da ideia da fundação do clube. Assim é justo que se mencionem também os nomes de George Dale, Jorge Eustaquio Lopes, Vicente de Paula Terçariolli, Theodósio Luiz Colaço, Carlos Lemke, Haroldo de Magalhães Leite, Heitor Sanchez, Paulo de Almeida Gomes, Cyrilo Bueno, Luiz Araripe Sucupira, João Norberto Longo e Salvador Pastore.

Todos eles souberam criar um meio acolhedor entre a mocidade da época e procuraram alistar nas fileiras dos primeiros combatentes, uma plêiade de jovens cujos esforços frutificaram. Lutaram e persistiram para, enfim, vencerem, legando a mocidade de hoje a obra que empreenderam e que representa o triunfo de um idealismo no campo do esporte amador.

Necessário se torna destacar também a contribuição valiosa dos que de inicio se tornaram beneméritos da jovem Atlética e nos lembramos aqui dos nomes de B. Jorge Flaquer, José Luiz Flaquer, José Zeferino Veloso, João Veloso Filho. Dr. Luiz Augusto Teixeira Leite, Pedro Cunha. Dr. Roberto Oliva, Dr. Eurico Caiuby, Carlos Zeppegno, José de Carvalho, o então tenente Penedo Pedra e o Dr. Francisco Xavier Paes de Barros Filho. O valoroso Clube Esperia – hoje “Associação Desportiva Floresta” – muito contribuiu para que, após a sua fundação, tivesse a Atlética, a sua secção Náutica em pleno funcionamento. E essa sua ação jamais foi olvidada.

Figuras de alto conceito político e social prestigiaram a então novel agremiação, sendo, por isso, seus sócios honorários. Entre eles destacam-se: Washington Luis Pereira de Souza, Eloy Chaves, Carlos de Campos, Barão de Duprat, Olival Costa, Antonio Fonseca, Mario Cardim, Luiz Antonio Pereira da Fonseca, Luiz Silveira e o Tiro de Guerra 35 da Confederação.

Fundada a Atlética, faltava-lhe o local onde pudesse se instalar, para o inicio de suas atividades esportivas. E enquanto se procurava esse local – eram grandes as dificuldades para se conseguir um terreno para a sede, quando em Março de 1915, a diretoria foi procurada para lhe ser oferecida a Chácara General Couto de Magalhães, vaga, então, pela transferência do Clube de Regatas Tiete para a sua sede atual. Estabelecidas as negociações com o seu proprietário o Dr Jose Augusto de Andrade, a 18 desse mês, foram recebidas, com grande alegria, as chaves do prédio. E a 28 do mesmo mês, com a presença das famílias dos associados e convidados, bem como comissões do Clube Esperia, Clubes de Regatas Tiete, Associação Atlética das Palmeiras, Clube Atlético Ipiranga, representantes do Sr. Presidente do Estado, secretários do governo, prefeito municipal, general inspetor da 6 região militar, Comando superior da Guarda Nacional, representante do Comando da Brigada Policial do Estado e jornalistas, foi o pavilhão da Atlética, hasteado pela sua madrinha, a Exma Sra. D. Virginia Teixeira Leite.

Daí por diante foram sucessivos os triunfos que no campo esportivo e na parte social conquistava a novel associação. Adotando para a sua bandeira, as cores de São Paulo e lutando sempre com ardor bandeirante, tornou-se ela a legitima pioneira da natação, do bola ao cesto, e do atletismo e ao lado de outros clubes, foi uma das mais eficientes colaboradoras na organização oficial dos Esportes atléticos e no desenvolvimento das atividades náuticas e propriamente aquáticas, fazendo sentir sempre a sua ação realizadora e objetiva.

Cinquentenário da Atlética São Paulo

De ano para ano o surto progressista da Atlética, se manifestava com as suas grandes realizações. Assim é que antes mesmo, da aquisição da parte de sua sede atual, construía a sua piscina, inaugurada a 15 de dezembro de 1929 – obra que marcou uma nota de sensação e de arrojo nos meios esportivos de São Paulo, abrindo-se então novos horizontes para a Aquática brasileira e dando aos demais clubes do Estado o exemplo de coragem e de iniciativa útil, oportuna e necessária.

Mais tarde, a 14 de fevereiro de 1930, num grande esforço, foi adquirida grande parte de sua atual sede, que representa dois terços do imóvel onde se encontra e em 1931 inaugurava o seu Ginásio – o primeiro no gênero, em condições de dar a São Paulo um local cômodo e apropriado para a pratica de jogos esportivos em área coberta e fechada. E assim tornou-se também a vanguardeira dos jogos de salão, incrementando em sua sede o Ping-Pong, hoje denominado Tênis de Mesa. Inaugurou no passado o seu Salão de Esgrima, tendo como mestres, monitores da Força Publica do Estado. Incentivou a Luta Romana. Presentemente, além das atividades do Bola ao Cesto, praticadas no Ginásio e na quadra descoberta, cultiva a Atlética, o Futebol de Salão e o Tamboréo, diligenciando a construção de quadras próprias. Assim, não serão esquecidas as de Malha e Boccia.

Desde o inicio de sua existência tem recebido a Atlética, visitantes ilustres que foram levar o incentivo alentador aos seus associados e diretores, mas destaquemos aqui as expressões de Olavo Bilac e do General Luiz Barbedo, por terem especial significação, no momento, como que aplauso do excelso Vate e do ilustre e saudoso militar a obra patriótica que então se iniciava na Atlética.

Sendo um clube náutico por excelência, nem por isso nunca deixou de ser um incentivador e respeitável competidor do Atletismo, da Ginástica e do Bola ao Cesto, atividades que procurou desenvolver em uma época em que poucos clubes e elementos esparsos as praticavam. Assim é que sob a feliz inspiração e entusiasmo de Heitor Sanchez, então provecto Diretor de Atletismo do Clube, foi organizado na sede o campeonato do atleta completo, tendo a atlética, mais tarde, ao lado de brilhantes figuras do esporte neste estado, fundado a então comissão de educação física da APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), a qual se deve a organização oficial do Atletismo no Brasil. Tomou, então, parte na fundação da Federação Paulista de Atletismo, tendo comparecido, por intermédio de Luiz Araripe Sucupira, Heitor Sanchez e Max de Barros Erhart, a quase todas as reuniões efetuadas nos escritórios do veterano e benemérito esportista, Dr. Antonio Prado Junior, ao lado de Mario Cardim e de Américo R. Neto.

Apesar do pouco espaço de sua sede, sem campo apropriado para treinos foi a Atlética, detentora de 4 recordes brasileiros de Atletismo, sendo: dois anos do levantamento de peso de 40 quilos: dois anos do lançamento do dardo e o da Corrida de Revezamento de 4 por 100.

Incentivadora entusiasta da Natação, do Pólo Aquático e dos Saltos Ornamentais, de trampolim, foi a Atlética por muito tempo a detentora absoluta da hegemonia desses esportes, vencendo a maioria de suas provas e campeonatos tendo formado os mais perfeitos nadadores e campeões do Brasil a começar por Renato de Barros Erhart, o primeiro praticante do crawl estilo então desconhecido. Ao lado de Renato apareceram Carlos de Campos Sobrinho e Carlos Weigand, impondo-se nessa época como um grande clube de iniciativas úteis e prodigiosas. E com a inauguração da sua piscina – a 1ª. Regulamentar no Brasil o nome da atlética projetou-se no cenário internacional, tendo nela se exibido grandes recordistas da Natação mundial. Surgiram daí por diante, verdadeiros astros, como Maria e Zieglinda Lenke, além de Marina Cruz, a esplendida recordista das provas de 100 e 200 metros, nado livre.